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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

“Há um jeito de ser bom de novo.” (O caçador de pipas)

Bravo! Magnifico! estotiante! A mais fabulosa historia, O CAÇADOR DE PIPAS, reune indiscultivelmente os mais bonitos valores do homem. Um filme para emocionar a todos.Não se assustem nos cinemas...não está tendo um surto de gripe... não é um coral e nem é proposital, mas por mais que pareça uma sinfonia desafinada são realmente todos emociondos. Esta sexta feira realemnte foi muitoespecial para mim, sai do cinema sem palavras e meio envergonhado pelo chororo, era todo mundo querendo sair as luzes apagadas mas ainda assim, indiscutivelmente, VALE A PENA CONFERIR.

Se infome um poquinhu:


Alguns milhões de livros vendidos depois, chegou ao Brasil nesta sexta-feira (18) a adaptação cinematográfica de “O caçador de pipas”, best-seller do autor afegão Khaled Hosseini. Lançado em 2003, ou seja, apenas dois anos depois dos atentados de 11 de setembro e da invasão dos Estados Unidos no Afeganistão, o livro surgiu do nada e não precisou de muito tempo para entrar na lista dos mais vendidos.
A jornada de “O caçador de pipas” começa nos anos 70, em um Afeganistão bem diferente do de hoje.
Amir (quando jovem interpretado por Zekiria Ebrahimi e, quando adulto, vivido por Khalid Abdalla) é um menino tímido, que gosta de escrever histórias e foge de encrencas. Seu melhor –e único- amigo é Hassan (Ahmad Khan Mahmoodzada), filho do empregado de seu pai, que o protege e dedica a ele idolatria total. O passatempo preferido da dupla é empinar pipas, e Hassan tem um dom especial para encontrá-las, quando cortadas, antes das outras crianças. Enquanto uma dúzia de garotos correm pelas ruas de Cabul seguindo as pipas coloridas, Hassan já sabe exatamente onde cada uma delas cairá. E lá aguarda, confiante.
Mas é justamente em um torneio de pipas que a amizade dos dois toma um rumo diferente. Hassan vai sozinho atrás de uma pipa e acaba sendo encurralado por meninos que, por preconceito com sua etnia, o violentam. Amir assiste a tudo, escondido e com medo de intervir. Só que, mais tarde, passa a ser torturado pela culpa e o arrependimento, e não tolera mais a presença do amigo.

Os dois se afastam, magoados, mas têm de enfrentar problemas mais graves quando a União Soviética invade o Afeganistão e, depois, quando o Talebã domina o país. Amir e seu pai são obrigados a fugir do país e a reconstruir a vida como refugiados nos Estados Unidos. Lá, Amir vira adulto, faz faculdade e se apaixona. Mas a vida, que parecia ter ficado na calmaria, muda novamente de rumos, e ele terá de voltar a Cabul para encarar seu passado. As filmagens de “O caçador de pipas” foram realizadas na China ocidental, lugar com cenários naturalmente semelhantes aos do Afeganistão. Os diálogos da primeira fase, quando os personagens ainda são crianças, são todos em dari, uma das duas principais línguas do país. Tudo isso atrai veracidade e sensibilidade ao longa, que, no entanto, não consegue atingir o mesmo nível dramático do livro. Apesar disso, o diretor Marc Forster merece reconhecimento pelo lindo trabalho que fez na seqüência em que os meninos participam do torneio de pipas, levando o espectador a passear por um céu colorido de papel de seda e, ao mesmo tempo, por um amontoado de lajes e casebres, numa visão panorâmica de Cabul.

Adaptação:

Na transposição do livro para o cinema, “O caçador de pipas” perdeu parte de seus dramas mais pesados –talvez até para evitar problemas e alta classificação indicativa. Uma das seqüências mais sofridas do livro, vivida pelo filho de Hassan, foi eliminada da história no longa-metragem. Para facilitar, as passagens de tempo também foram diminuídas, já que o livro abrange um período de cerca de 30 anos na vida do protagonista. “O roteiro enxuga a narrativa do livro. Ele incorpora quase tudo que a história conta, mas simplifica a cronologia”, explica o roteirista David Benioff.

Polêmica:

As filmagens de “O caçador de pipas” foram cercadas de problemas e polêmicas. Quatro das crianças que participaram do longa tiveram de deixar o Afeganistão devido a preocupações com segurança, anunciou em dezembro o estúdio. Depois, como se não bastasse, o filme teve sua exibição proibida no Afeganistão. "Há cenas que exibem atos de violência sexual que são etnicamente orientadas", explicou o vice-ministro da Cultura Najib Malalai. Ele se refere à seqüência em que Hassan, da etnia hazara, é violentado. Os hazaras são minoria xiita de origem mongol que vivem no Afeganistão. "Um membro de uma etnia que é agredido por pessoas de uma etnia diferente leva a crer que esta etnia está ligada a esse tipo de ato", declarou Malalai. "É um ato cultural, isso não pode ser aceito", acrescentou.


Extraido de: http://g1.globo.com

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Só de Sacanagem - Elisa Lucinda


Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Tudo isso que está aí no ar,
Malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro
Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós,
Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade
E eu não posso mais.
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis
Existem para aperfeiçoar o aprendiz,
Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros
Venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro,
A luz é simples,
Regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó
E os justos que os precederam:
"Não roubarás",
"Devolva o lápis do coleguinha",
"Esse apontador não é seu, minha filha".
Pois bem, se mexeram comigo,
Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
Então agora eu vou sacanear:
Mais honesta ainda eu vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão:
“Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba”
E eu vou dizer:
Não importa, será esse o meu carnaval,
Vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos,
Vamos pagar limpo a quem a gente deve
E receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre,
Ético e o escambau.
Dirão:
"É inútil, todo o mundo aqui é corrupto,
Desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi:
Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram?
IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo
Mas, se a gente quiser,
Vai dar para mudar o final!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Traduzir-se - Ferreira Gullar






Uma parte de mim
é todo mundo:

outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:

outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
que é uma questão
de vida ou morte
será arte?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Cantico Negro - José Régio



"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os bracos, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Ha, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os bracos,
E nunca vou por ali...

A minha gloria e esta:
Criar desumanidade!
Nao acompanhar ninguem.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mae.

Nao, nao vou por ai! So vou por onde
Me levam meus proprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vos responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pes sangrentos,
A ir por ai...

Se vim ao mundo, foi
So para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus proprios pes na areia inexplorada!
O mais que faco nao vale nada.

Como, pois, sereis vos
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstaculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avos,
E vos amais o que e facil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes patrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filosofos, e sabios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e canticos nos labios...

Deus e o Diabo e que me guiam, mais ninguem.
Todos tiveram pai, todos tiveram mae;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que ha entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguem me de piedosas intencoes!
Ninguem me peça definicoes!

Ninguem me diga: "vem por aqui"!
A minha vida e um vendaval que se soltou.
E uma onda que se alevantou.
E um atomo a mais que se animou...
Nao sei por onde vou,
Nao sei para onde vou,
Sei que nao vou por ai