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quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Idade Do Céu - Paulinho Mosca


Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu

Não somos o que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Ou um capricho do sol
No jardim do céu

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Pensamento / Conflito - Fagner


Perdido em meus pensamentos
É que me encontro tão só
Na boca um sabor de veneno
No peito aquele nó
Esperando em qualquer caminho
Um dia te encontrar
Peito a peito, frente a frente
Meu amor o que é que há
Ah! meu amor a vida pode se acabar
Que queres mais que eu faça
Além do grito no ar
A ilusão do tempo a esperar por mim
Te quero o tempo todo perto de mim
Não sei o que é de direito
Mas tudo em mim é você
Quando é pra falar de amor
Já começo a enlouquecer
Ai coração faz o teu fogo arder
Naquele abraço amigo
Na noite que vai chover

...

Ah, meu coração que não entende
O compasso do meu pensamento
E o pensamento se protege
E o coração se entrega inteiro e sem razão
Se o pensamento foge dela o coração a busca aflito
E o corpo todo sai tremendo, massacrado e ferido no conflito

terça-feira, 15 de abril de 2008

Leão Ferido / Amei Demais - Biafra / Michael Sullivan


Feche os olhos, não te quero mais
Dentro do coração
Quantas vezes eu tentei falar com você

Eu não gosto de me ver assim
Mas não tem solução
A verdade dói demais em mim
Solidão

Tenho que ser bandido
Tenho que ser cruel
Um leão ferido feroz

Sou um herói vencido
Anjo que fere o céu
Um grito de amor sumido
Na voz
E nós
Hoje.

...

Amei demais.
Como pude me entregar assim?
Já cansei de saber
Que você não tem jeito,
Mas com fogo brinquei,
Te queria e daí?

Amei demais.
Como pude esquecer de mim?
E apesar de você
Quase durmo direito,
Posso até suportar
Essa falta de ti.

Já tentei todas as rezas
Pra tirar você de mim.
Já fiz todas as promessas
Pra não mais gostar assim,
Mas é coisa do destino,
É coisa feita, não tem jeito
Esse desejo de você.

Sou alguém
Que acredita que você pode mudar,
Mas não me entrego
Se você não se entregar;
Já fiz isso uma vez,
Não quero mais me arrepender.

Pense bem,
Diz a razão, não vale a pena se enganar,
E o coração me pede
Pra te procurar,
Tá doendo de saudade...
Diz pra mim o que fazer.


Amei demais.
Quero ver quem vai te amar assim.
Ninguém pode te dar um amor desse jeito.
Você pode tentar, mas não vai conseguir.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Começaria Tudo Outra Vez/Eu Apena Queria Que Você Soubesse - Gonzaguinha


Começaria tudo outra vez
Se preciso fosse, meu amor
A chama em meu peito
Ainda queima, saiba!
Nada foi em vão...

A cuba-libre dá coragem
Em minhas mãos
A dama de lilás
Me machucando o coração
Na sêde de sentir
Seu corpo inteiro
Coladinho ao meu...

E então eu cantaria
A noite inteira
Como já cantei, cantarei
As coisas todas que já tive
Tenho e sei, um dia terei...

A fé no que virá
E a alegria de poder
Olhar prá trás
E ver que voltaria com você
De novo, viver
Nesse imenso salão...

Ao som desse bolero
Vida, vamo nós
E não estamos sós
Veja meu bem
A orquestra nos espera
Por favor!
Mais uma vez, recomeçar..

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Tabacaria - Fernado Pessoa



Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!

E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio
? Neste momento

Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,

E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!

Eu
, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Não, nem em mim...

Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo

Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,

E quem sabe se realizáveis,

Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

O mundo é para quem nasce para o conquistar

E não para quem sonha que pode conquistá-lo
, ainda que tenha razão.

Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.

Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,

Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.


[...]

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.

O dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.

Quando a tirei e me vi ao espelho,

Já tinha envelhecido.

Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.

Deitei fora a máscara e dormi no vestiário

Como um cão tolerado pela gerência

Por ser inofensivo

E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

"Alvaro de Campos"

domingo, 6 de abril de 2008

O Ultimo Romantico - Lulu Santos


Só falta abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola

Fazer da minha vida sempre o meu passei público

E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só único
Talvez eu seja o último romântico
Dos litorais desse oceano atlântico

Só falta reunir a zona norte à zona sul

Iluminar a vida já que a morte cai do azul
Só falta de querer
Te ganhar e te perder

Falta eu acorda ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo então aperta minha mão

Tolice é viver a vida assim sem aventura
Deixa ser pelo coração

Se é loucura então, melhor não ter razão

Jura Secreta - Sueli Costa / Abel Silva


Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei

Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofrí