
Viver cada dia como o ultimo, mas sem desejar que este seja de fato o ultimo tem sido o meu maior desafio a alguns dias, "Mais Uma Vez Amor"? Não definitivamente, ainda é com você que eu sonho.
Sou platéia de mim mesmo e todos os dias me assisto faminto por novas emoções, mas quem eu vejo no palco é frágil e não está preparado para o Teatro Maior. O ator é O Mendigo, vitima das suas defesas contra as oscilações do coração do homem. Se auto flagelou e terminou vestindo uma mortalha sem sentimentos em uma tentativa desesperada de sempre se manter a uma distancia emocional das pessoas.
Acreditava o Saudável Mendigo que distancia emocional seria benéfico e que o tornaria mais feliz ou no mínimo menos infeliz. A mortalha foi arquitetada por mim e, ainda, não foi ele próprio quem a vestiu.
As marés das incertezas da vida não foram temerosas com o Coitado Mendigo e ele se perdeu no meio do oceano da vida, ficou exatamente entre Eu, no meio do oceano, e a margem do convívio emocional saudável. Se a maré impiedosa, as chuvas de lágrimas, os raios do rancor e os vendavais de palavras ríspidas o desnorteassem ainda assim não seria tão difícil o navegar se o seu porto seguro não tivesse sido destruído.
Navegar sem saber onde se vai parar pode até ser gostoso, mas quando se sabe que tem para onde voltar e onde se abrigar nos dias de tormentos. Ficar perdido no meio do oceano sem ter para onde voltar e sem saber onde vai parar é desesperador para o Pobre Mendigo que nem aulas sobre como navegar lhe deram.
A todo tempo o Desgraçado Mendigo lia nos revestimentos do barquinho noticias que o fizeram desistir até de tentar controlar o rumo dessa viagem sem destino, o seu Herói de infância é uma farsa, sendo assim melhor passar a acreditar que nunca havia gostado dele do que conviver com a dor de ver as suas expectativas frustradas a todo o tempo. Leu, também, uma historia de amor sobre um sentimento jamais sentido por ele onde o Penalizado Mendigo se sentiu milionário livre de todos os desafetos e acreditou ter encontrado o seu Grande Tesouro. O barquinho apesar de pesado de tanta carga navegava feliz por sentir que um novo Porto Seguro estava prestes a ser erguido, mas logo a maré das incertezas cobriu o barquinho e levou as boas noticias e lembranças da família, restando apenas o comunicado de que O Casamento estava breve, mas ele, o Sonhador Amargurado Mendigo, era apenas mais um convidado.
O barco permaneceu murcho e cinza por meses... Mas o Valente Mendigo resolveu reescrever as noticias com as palavras embaralhadas que o sobrara que apesar de, ainda, desgostoso com a vida, encontrava-se esperançoso por dias melhores. Com o passar dos dias de calmaria e certo que não durariam, tentou escrever um conto, dois... Mas as letras lhe fugiam, a calmaria passou e viagem voltou a ser conturbada, o medo de sonhar em um dia ter um porto seguro já não é sentido perto.
Os dois protagonistas dos contos se foram em marolinhas, e já não se tinha força para segurar-los e nem coragem de encarar e teimar em escrever uma historia. Pensar em pagar para ver se no fim viria mais uma vez ouro de tolo ou a tão almejada e merecida recompensa, o seu porto seguro, é muito doloroso e faltara-lhe até coordenação para tomar uma ação que não seja observar a marolinha se afastando e lamentar.
O Raquítico Mendigo transformou-se em um covarde, temeroso as oscilações dos ventos e das marés e resolveu pular do barco, caindo aqui neste palco de cortiça como um Palhaço das Perdidas Ilusões, onde o único espectador sou Eu e que somente o alimento sob a condição de não tirar a mortalha.
1bertojr

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